top of page

QUANTO DE PAI E MÃE FALTAM EM VOCÊ?


Desde o ato da concepção da vida, portanto desde o útero materno precisamos sentir que somos desejados e que o ambiente que nos aguarda é seguro. É legítimo procurarmos sermos amados e protegidos não só por necessidades sociais, mas fundamentalmente por que elas podem ser cruciais para o desenvolvimento neurológico do futuro bebê.


Algumas crianças, logo na primeira infância, já tiveram que enfrentar graves perdas que as obrigaram a passar pelo terror de um ambiente insalubre ou pelo abandono de seu pai, mãe ou ambos. Fatos tristes e reais da vida. Os efeitos dessa situação são imprevisíveis, podendo gerar traumas graves ou simplesmente nada acontecer. Por que algumas pessoas guardam marcas de severos traumas enquanto outros saem livres, leves e ilesas?


A resposta pode estar na singularidade de cada pessoa. Um sujeito abriga um universo pessoal e particular. Há uma constelação de variáveis que o compõe: desde a herança genética, a cultura, o clima, a família, a alimentação, o estilo de vida, o abuso de substâncias, a escola e para os mais ousados por que não cogitarmos sobre as possíveis influencias de “Campos Morfogenéticos”, postulação teórica proposta pelo Biólogo americano Ruppert Sheldrake que tenta explicar que nossas influencias ancestrais são muito além da genética, são campos informacionais transmitidos de gerações para gerações.


A despeito da dificuldade de se achar uma etiologia científica que indique maior probabilidade para que uma pessoa desenvolva uma reposta não adaptativa à ausência de seus pais, podemos inferir que essa situação causa muita dor na vida de uma pessoa. Tudo indica que para que profundos danos ocorram não é necessário que alguém morra, abandone a família, ou esteja cumprindo pena, há muitas famílias que moram juntas, mas sofrem com a ausência de seus genitores.


Algumas delas por motivos de trabalho passam muito tempo fora de casa, outras por que alguém foi abduzido por vícios (álcool, droga, sexo, trabalho compulsivo, religião compulsiva). Outras por que conviver com alguém pode ser doloroso demais...


Não importa o que sofremos de nossos pais. Hoje, adultos, já temos a responsabilidade sobre nossos sentimentos, ações e destino. Será?


Podemos no dia-a-dia agir, sem perceber, agir como se estivesse estampado em nossa testa “sinto tanta falta de meu pai, sinto tanta falta de minha mãe...” e agir dando "porrada" em quem passa pelo nosso caminho, tudo para nos proteger...


Decepção, mágoa e indignação podem emergir pelos nossos genitores e estarmos no auge das nossas vidas, podemos ter sucesso na carreira, mas carregamos um impulso irresistível para o conflito com as pessoas mais próximas. Podemos evitar a intimidade para minimizar as chances de sentir essa dor, porém para aonde formos a levamos conosco.


Sem amar pai e mãe perdemos a capacidade de confiar e muitas vezes a força para conquistar o mundo. Podemos ter dinheiro, mas não alcançamos o sucesso. Podemos ter família, mas não alcançamos o amor. Tudo na vida passa por um esforço muito grande, podemos nos sentir vítima. A vida não é fluída.


Bert Hellinger filósofo alemão, criador das Constelações Familiares, postula que que não há nada para perdoar dos pais, não importa qual erro eles tenham cometido. Apenas agradecer pois já recebemos o dom da vida e isso já basta. Não podemos perdoar quem são maiores que nós. Humildade é o que nos falta. Pode parecer difícil? Por que não refletir? Mais difícil é vivermos uma vida com uma raiva autodestruidora, devoradora de si mesmo.

Eldemir Alencar é Psicólogo, especialista em Naturologia – Terapias Naturais e Holísticas, Neurociências e Terapias Meditativas Aplicadas à Saúde e Constelação Familiar Sistêmica. Consultor, professor, atualmente se dedica à Fundação Iara Alencar, Educação para a Consciência, organização voltada exclusivamente para a identificação e Tratamento de Traumas e recuperação dos mais diversos tipos de Vícios.

 
 
 

Comentários


bottom of page